O estaminé está em obras.

Fique atento.

Entretanto, publicidade:



Respiração ofegante. “ Está à minha volta”, pensou ele, “ como uma entidade espectral, não se vê mas sente-se bastante bem. Começa no ventre, percorre todos os membros do nosso corpo, escurece-nos a alma e tornamo-nos animais. Animais daqueles que não vêm a luz do dia, não sei, talvez toupeiras ou vermes nojentos. A continuidade viscosa do caminho desses vermes escorre pelos dias, pelas horas, pelo espaço e pelo tempo enquanto sou animal, uma besta de sangue...

...Ninguém ama bestas de sangue.

Corro contra as paredes cinzentas, feitas de grandes pedras frias. Tudo o que ouço são os meus loucos passos contra o chão que é a minha casa.


Uma vez, um homem estava entre quatro paredes brancas. Uma sala vazia. Por alguma razão, talvez destino, talvez uma vontade voluntária, essas paredes começaram a fechar-se sobre si progressivamente, colocando o homem numa situação complexa; pânico, falta de ar, falta de vida, falta de magia, enrolado no seu próprio ser como uma massa amorfa mas autónoma. Ficou louco, demente, correndo contra as paredes em busca de uma solução, como se buscasse no próprio problema a sua resolução. As amarras que se avizinhavam ditavam um destino fatalista ao homem. Esse homem era igualmente fatalista. Continuou enrolado na sua própria existência e tentou sorver o mais que pôde da sua própria consciência, um desesperado intento de se ligar à vida espiritual. As paredes estavam cada vez mais perto, as amarras cada vez mais fortes. O homem fechou os olhos e mergulhou na imensidão do negro da sua consciência. Lá poderia ser tudo, poderia libertar-se, voar, saltar, ter ar e cor e magia, sol e música. Assim o homem aprendeu a viver encurralado, de olhos fechados, de amarras postas, mas com uma ampla percepção do seu espaço livre que não existia, a ampliação do seu ser pela sua cave mesquinha, voando infindavelmente pela semente e fruto da sua demência que era a sua consciência demasiado livre, mergulhando no mundo da fantasia eterna.


Uma vez, um homem estava entre quatro paredes brancas. Uma sala vazia. Por alguma razão, talvez destino, talvez uma vontade voluntária, essas paredes começaram a fechar-se sobre si progressivamente, colocando o homem numa situação complexa; pânico, falta de ar, falta de vida, falta de magia, enrolado no seu próprio ser como uma massa amorfa mas autónoma. Ficou louco, demente, correndo contra as paredes em busca de uma solução, como se buscasse no próprio problema a sua resolução. As amarras que se avizinhavam ditavam um destino fatalista ao homem. Este acabou por não se cumprir. O homem é dotado de força, de dedicação e de confiança, por alguma razão. O homem soube sempre suplantar-se sobre tudo o que o rodeava, era grande. Nos últimos minutos da existência de tal peculiar quarto, o homem quebra as correntes como um génio louco, era a única solução, necessitava de vida e ar e cor e magia, sol e música. Assim o homem fez a sua vida.

Expolíngua 2009

Author: Hugo Torres /


"Desde 1989, a Expolingua Portugal - Salão Português de Línguas e Culturas, divulga e promove a importância do estudo de línguas e do conhecimento de novas culturas.
A par da Feira, que reúne a presença em stand das mais diversas entidades ligadas à educação e cultura, irá decorrer um Programa Cultural com teatro, cinema, conferências, workshops e debates. A Expolingua é visitada anualmente por milhares de pessoas que aí encontram as mais recentes novidades no campo da didáctica, ensino e aprendizagem de línguas.
Nesta edição, em que se comemora o 20º aniversário do evento, o Convidado de Honra será a Língua Portuguesa e a Lusofonia.
Tanto a assistência às sessões do Programa Cultural como a entrada na Feira são gratuitas (excepto os espectáculos de teatro interactivo). Durante os três dias realizar-se-ão ainda sorteios, concursos e animação cultural com música, dança, aulas de línguas estrangeiras, etc.
A entrada é livre e podem ser marcadas desde já visitas de estudo."

Inicia-se a exposição dia 4 e estender-se-á até dia 6. Estará lá representada, entre outras entidades, a CPLP, apoiante do novo acordo ortográfico, certamente movida por outros interesses que não exclusivamente os culturais.

A explosão da Dignidade

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

Hoje lembrei-me de explodir. Rebentar a alma numa generalidade tosca e desprovida de qualquer sentido. Talvez o simples acto de palavrear por aqui seja já uma explosão e pêras.
Hoje lembrei-me do buraco feio onde estamos metidos. Da hipocrisia das pessoas que nos rodeiam. Da liberdade que nos tiram, que nunca tivemos. Não temos dignidade no mundo. Não a há. Muitos, as raríssimas excepções de 'merecedores' da dignidade, a um nível mais cimeiro e altivo, cujas características são igualmente homónimas às dos heróis locais, são aqueles que nos entorpecem com veneno, ou os que a recebem sob a forma de uma mentira ou um qualquer engodo interesseiro. E perseguir os nossos interesses é uma inteligente forma de sobrevivência social! De todo o modo, recebem-na as que nos embalam no que queremos ouvir, da forma que queremos ouvir, da forma que queremos ver e fazer o mundo, cuja NUNCA fazemos. E quando a fazemos, chegamos, rastejando, até ao nosso leito de morte e sussurramos, moribundos, que a nossa submissa vida de dedicação a algo místico que poderá vir ou não vir foi uma perda de tempo, deste tempo que é nosso por um qualquer acaso da física ou da química - provar do pouco que o mundo tem para nos dar seria uma melhor forma de emprestar uma existência à vida. Quem recebe dignidade são os que bradam, bradam aos céus, ladram aos céus o clímax da sua ignorância ou do seu não-faz mas afinal até é adepto disso. Pior - apontam o dedo aos seus caros camaradas de vida, quem sabe, camaradas de leito, camaradas de tudo e muito mais que tudo. São esses que têm a dignidade, porque escondem a sua realidade e lambem muito, e não só as botas daqueles que detêm o poder, esse conceito (antropológico?) que é o poder, neste caso, o poder da promoção, da dignidade, talvez da comunidade - do andar pelas ruas em alcateias, de preferência armados de poucas ideias, muitas misconcepções e uma arma ou outra, para intimidar os mais fracos, os seus iguais biológicos mais fracos. Viva a amplitude de pensamento, tão democrática que ela é. E como qualquer democracia, tem potencial para ser autofágica.
É aqui que se encontra a falta de dignidade. Daqueles que, de facto, a merecem. Daqueles que dão a cara, que dão o que lhes apetece, desde que não atinja o seu igual biológico, igual esse que alguns conhecem por irmão, mas deixemo-nos de coisas antigas e desactualizadas, essas leituras pesadas de derramamento de sangue que se perpétua pelo infinito, gerando parasitas que igualmente não merecem dignidade, mas têm-na toda, pelo simples facto de HIPOTETICAMENTE levarem a tal vida servil ou colocarem uma máscara de pureza e envergarem umas vestes demarcadoras. Enfim, cá estou a escrever quase que como a desculpar-me pela minha ou a existência de outros seres indignos e certamente indignados. Não são necessárias desculpas para viver, pois é um facto aleatório. Há muitos factos que são aleatórios, tal como a dignidade parece sê-lo. Dentro de um restrito poço de boçalidade, muitos são os seres que rastejam como vermes, festejam como vermes a sua boçalidade, fruto da democracia autofágica, ou o buraco feio onde estamos metidos. Desde o fala barato, o que diz tudo sobre tudo mas não sabe nada, o que não te dá palavra, não te deixa responder às questões, esse altivo mestre, por vezes muito militaresco, forte, cheio de ambição de luta contra tudo e todos, resultado da sua educação dura e espartana, provavelmente auto-induzida, à tua vizinha que apanhas a escutar à tua porta, à porta do teu pensamento, sim, essa que se veste de negro todos os dias pelo senhor e pelo Senhor (paz às suas almas), que aos Domingos não está claramente em casa porque foi tricotar com as suas iguais, ou irmãs, para o domo do Lorde. E que Lorde, o que matou, o que aponta o dedo ao teu colega de trabalho, que adora a sua mulher, ama os seus filhos e, nas horas vagas, quando não tem muito para fazer, ama ébriamente os filhos dos outros, na escuridão da noite para que toda a sua vida não caia nas ruas da amargura, tão deprimentes e tão fascinantes quanto as ruas que acolhem todos os seus actos do demónio que não são sequer confessados, apesar de este vizinho se trajar também de negro e espalhar, cheio de orgulho e dignidade, todo o esplendor do Santo Evangelho.

Percorres um caminho

Author: Hugo Torres /



Percorres um caminho que
nem sabe se o é. Os ladrilhos,
mal desenhados, soltam-se ao
teu passar.

E eu grito mármore,
mas sou húmus. Sou areias
mortais que sonham ser
mais alto. Sou a cal morta
que te queima a doce pele,
torre que se eleva numa terra demasiado distante,
chão que tremeu por ti.

Sou um mundo diferente, tão igual ao teu.

Castelo

Author: Hugo Torres / Etiquetas:



Um castelo de pedra e mármore
sobrevive, imponente, aos ventos e às
tempestades a que o mundo o habituou.

Enquanto o topo da montanha não for escalado, tudo, tudo serão pérolas a um porco.

No início, era a verba.


Mind that nostalgia comes often with rust.

Vive, nunca se sabe o dia de amanhã, dizem-me. Então, para quê deixar fluir o hoje e esperar pelo dia de amanhã para nos sentirmos realizados?

As palavras que me roubaste, um dia, serão minhas.

Não mereço nada até à perfeição.

Já não tenho motivos. Vem sê-los.

Sonho

Author: Hugo Torres /

Perder-me no teu calor,
na tua respiração
nos dedos enrolados nas madeixas de cabelo.
Fazeres-me ascender com o teu desejo;
tão estranho dois seres serem um só
por momentos só nossos.
As palavras e os pensamentos custam a sair
pela ebriedade do momento
em que sonho corpos e almas e fusões
e corro pelas areias do tempo à espera,
sempre à espera,
desses momentos só nossos.


Desculpem os que me julgam frígido, mas aprendi a não amar.

I still see you. I still watch you, more than you could ever think. I still stalk you and my eyes still follow your moves. You and all the people you took with you. You may all see me as well, but I couldn't care less. As some use to say, the memory remains, and memories are like carved wood. They may stand the test of time and be seen forever. I may not kill, I may not move - but I watch - I may as well not live or die. But I will certainly, if it is God's or any other being's will, dance upon your grave at your darkest hour.


O mundo vira-nos as páginas e força-nos finais parágrafos.

Palavras

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

As palavras e os actos perduram no
tempo como cordas infindáveis. Ficam cravadas
na cronologia do mundo e do ser e da consciência
e da consequência do dizê-las.

As palavras não se esquecem, caem em terra firme,
não se esquecem e são mágicas e encerram o peso do mundo.

As palavras amam-se
em frases
infinitas.

Maço de Poemas: WAF 2008

Author: Hugo Torres /

Os eleitos que irão constar na compilação de poesia pela Corpos Editora já foram publicados e, curiosamente, sou um deles. O poema escolhido foi 'Um dia mais perto da morte'. O Maço irá ser lançado dia 6 de Dezembro na Real Feitorya, no Porto. Simultâneamente, irão ser lançadas outras publicações, maioritariamente provenientes do concurso Ministério da Poesia 2008 pela mesma editora.

Marasmo

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Uma prisão chamada

M
A
R
A
S
M
O.

Ya intenté

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

Ya intenté ser todo para saber que no puedo ser nada.

Maço de Poemas - World Art Friends

Author: Hugo Torres /


Este é o terceiro concurso literário a que concorro. Em relação ao anterior, fui de facto seleccionado para publicação, mas infelizmente não me foi possível cobrir todos os custos para tal. Mas não há nada como tentar novamente. O link do concurso pode ser visto aqui.

O peso do mundo sobre as tuas costas

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

O peso do mundo sobre as tuas costas
é revelado no teu rosto cansado, na tua dúbia
postura de quem não o quer encarar.
Os dias e dias e dias e dias e mais dias em que os teus olhos
arrastam o teu corpo pelo mundo, as tuas pernas
já cansadas de tanto mas tão pouco andar,
os teus olhos já conspurcados por todo o pecado,
as tuas mãos ainda puerís que contrastam
com o peso do mundo no teu rosto rasgado,
negro, débil e cansado que reflecte solenemente
os teus pensamentos.
O peso do mundo sobre as tuas costas
são as voltas que ele dá e que tu dás,
que ambos dão e se anulam
e tudo fica igual, tudo é o mesmo,
tudo é ciclico sem se renovar: aborrece;
cansa.
O peso do mundo sobre as tuas costas
e a terra tão perto dos teus lábios,
a terra e o carvão e o asfalto e a areia
que te lançam para os olhos
e a poeira que te fazem tragar
e o sangue que jorra da tua face descarnada
e que marca o teu caminho.

A Vida Num Só Dia

Author: Hugo Torres /

"eu podia desvendar os segredos mais secretos
o som, a cor, o olhar e o número fatal
tomar de assalto os céus em cruzadas proibídas
olhar nos olhos de deus e esperar o final
viver como por magia a vida num só dia

eu podia conhecer os segredos mais secretos
transmutar o meu ser em ouro filosofal
esconder o rosto cansado
sobre o meu balandrau negro
deixar o tempo parado e esperar o final
viver como por magia a vida num só dia"

- Rádio Macau

A Cave

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

Não me posso olhar, nem andar.
Só mesmo subir as escadas que descem à cave
e sonhar que o mundo não existe, e ver o espelho partido
que reflecte a alma mais escondida da consciência.
É lá que toco os sinos da catedral e me apaixono por ciganas,
onde não cresço, onde sonho e não cresço nunca,
e cresço como nunca, em ascensão celestial
num qualquer acto de recompensa,
onde os Homens são belos,
onde as flores nascem, crescem, morrem,
florescem ao lado das mortas que se mantêm de pé
como memórias do tempo,
onde o mofo me sufoca, o fumo me mata
enquanto contemplo um molde mais perfeito.
Na cave tudo se encontra, tudo se perde,
tudo se reencontra numa espiral de medos,
num simples olhar, numa aleatoriedade louca
como a escrita. As fadas não moram na cave
porque a cave é menor, doutro mundo,
ninguém mora na cave senão eu e o espelho
onde me reencontro para me relembrar
que o rés-do-chão é a maligna inspiração daquele vidro
do novamente, dos demónios da cave,
das fadas da cave, do espelho da cave,
da própria cave que sou eu.

É provável

Author: Hugo Torres /

"um dia é provável que te volte a amar
mas espero que nesse dia
seja tarde demais"

m.r.t.

(A Naifa)

O Guerreiro Falhado

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

O regresso a casa do guerreiro falhado
nunca é bemvindo.

O guerreiro morre,
o guerreiro volta heróicamente com um ferido,
o guerreiro vence,
mas nunca regressa sozinho.

A cobardia do desertar ou do ser
derrotado é um vexame punível com a vida.

Revedere - Mihai Eminescu

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Revedere

By Mihai Eminescu


Revedere, published by Evoramons, is a bilingual (Romanian/Portuguese, translated by Doina Zugravescu) compilation of poems written by Mihai Eminescu, one of the greatest, if not the greatest Romanian poet, which is considered a national cultural icon both in Romania and Moldova. Eminescu was born on January 15, 1850, in Botoşani, Moldavia. When he was sixteen years old he crossed the whole region of Transylvania by foot, traveled through Romania and that enabled him to have an insight of the country’s culture. While doing so, Eminescu starts writing and signing his works with his true natural name, Mihail Eminovici, that he had to abandon when started publishing his poetry. Later on his life, he attended the universities of Vienna and Berlin but did not finish any of his studies. When he gets back in Romania he starts a career in journalism and becomes the main editor of the newspaper Timpul. In his last years of life, Eminescu starts suffering from manic-depressive psychosis and syphilis. The Romantic poet eventually died in hospital on June 15, 1889, in Bucharest.

Eminescu’s lyrical themes are varied. With this book we can have a slight feeling of the country’s landscape, which is vastly mentioned through visual references of nature like the woods, lakes, branches, birds and many others. There are also many references to the Greek mythology, as well as cultural references, such as the Doina, a kind of popular song based on Romanian shepherds’ laments, which is to Romania the same as Fado is to Portugal. It is interesting to see the resemblances between Portuguese and Romanian, having in mind that these two languages are the two most faraway romance languages that have evolved from Latin, the former in the west and the latter in the east.

Ce te legeni?...

- Ce te legeni, codrule,

Fara ploaie, fără vint,
Cu crengile la pământ?
- De ce nu m-as legana,
Daca trece vremea mea!
Ziua scade, noaptea creste
Şi frunzisul mi-l rareste.
Bate vintul frunza-n dunga
-Cintaretii mi-i alunga;
Bate vintul dintr-o parte -
Iarna-i ici, vara-i departe.
Şi de ce să nu mă plec,
Daca pasarile trec!
Peste virf de ramurele
Trec în stoluri rindunele,
Ducind gindurile mele
Şi norocul meu cu ele.
Şi se duc pe rând, pe rând,
Zarea lumii-ntunecind,
Şi se duc ca clipele,
Scuturind aripele,
Şi mă lasa pustiit,
Vestejit si amortit
Şi cu doru-mi singurel,
De mă-ngin numai cu el!

Mihai Eminescu

Bosque, porque abanas...

Bosque, porque abanas tu,
Sem ventar e sem chover,
Ramos no chão a bater?
- E porque não abanar
,
Se meu tempo está a passar!
Baixa o dia, a noite cresce
E minha rama fenece.
Sopra o vento em folha gasta
E os cantores meus afasta;
Deste lado o vento pega -
Verão foi, inverno chega.
E porque não me dobrar,
Se as aves vão abalar!
Sobre os ramos se encaminha
Longe em bandos a andorinha,
Leva meu pensar asinha
E com ela a sorte minha.
Uma a uma vão correndo,
Horizonte escurecendo,
Como instantes vão fugindo,
Suas asas sacudindo,
Me deixam desamparado,
Mirrado e desmaiado
E com a saudade a sós,
Feito eco de sua voz.

Translated by Doina Zugravescu


Why do you wail, o forest trees

"Why do you wail o forest trees,
Forest, without rain or breeze,
Your branches ill at ease? "
"How indeed should I not wail
When the hours of Sumner fail!
Nights grow longer, days get short,
On my branches few leaves caught,
And the winds with bitter sword
Drive my choristers abroad;
Autumn winds that forests flay,
Winter near, spring far away.
How indeed should I not groan
When my singing birds have flown,
And across the frozen sky
Flocks of swallows hurry by,
And with them my fancies fly
Leaving me alone to sigh;
Hurly on as time in flight
Turning day half into night,
Time that o'er the forest rings
With a fluttering of wings...
And they pass and leave me cold,
Nude and shivering and old;
For my thoughts with them have flown,
And with them my gladness gone !"


Translated by Corneliu M. Popescu
  • Author: Mihai Eminescu
  • Title: Revedere
  • Publisher: Evoramons Editores
  • Year: 2005
  • ISBN: 972-99486-0-7
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A caverna e eu somos em uníssono

Author: Hugo Torres /

A caverna e eu somos em uníssono,
como a sargeta dos sonhos
e o ébrio que mendiga para
celebrar novamente a fantasia
que é a pausa constante da sobriedade.

Estrela decadente

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

Somente os confins do nada propiciam o ser
porque aqui já está tudo ocupado, só o nada resta
para albergar as nossas liberdades.
Quantos deuses não rirão dos teus sonhos?
E quantos deuses não rirão dos teus desejos,
relembrando-te da veritas que queres esquecer,
não mais ser, mas que as estrelas te relembram?

O vazio do universo espera-te.
As estrelas passam, fulguram e morrem
enquanto desejas sê-las.
Estrela decadente.

Ministério da Poesia 2008 - World Art Friends

Author: Hugo Torres /


Já está concorrido. Agora é esperar pelos resultados. At least I gave it a shot.

Um Quadro Feio

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Quando me perguntaram perante um quadro feio
se cada um de nós não deverá ter um ou outro defeito
como a repugnância da obra,
questionei-me se as pessoas têm a vergonha de se
pensar
intrinsecamente belas.

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Amália Warhol

Author: Hugo Torres / Etiquetas:

Amália Warhol

ou

A nossa Amália foi naifada.

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As Sombras do Submundo

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Fui apanhado nas sombras do submundo
pelas tuas mãos quentes que se escondiam
há tanto tempo, mesmo à minha frente.

Os meus santos, os meus queridos
santos diários já não me respondem,
são dogmas destruidos pelos homens.

Encontrarmo-nos foi um tesouro,
foi toda uma nova descoberta
pois somos putas com coração de ouro.

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Vomito-me

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Pouca luz, sujidade,
O odor é intenso e nada agradável;
O dia e a noite esquecem-se entre quatro paredes.

Não há mundo, está diluido num extremo
Conceito de narcisismo paradoxal que é a solidão.

Assola-me a vontade
De vomitar o meu corpo
Para um molde mais perfeito.

A empregada / Puta de coração de ouro

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


São nove da manhã, o ofício espera-me,
rever as minhas colegas e lavar as mesas
como de costume.
Ando de cabeça baixa, servil, sorriso constante
mas subtil, como se pensasse nas vitórias
do passado, a saudade.
Gosto da cor destas mesas, são como
as férias que tiro da minha mesa de vidro lá de casa
que até está um pouco rachada.

São nove da noite, os filhos na cama
e a mesa no pensamento. A rua espera-me,
rever as minhas colegas e os meus clientes
do costume.
Ando de cabeça erguida, chamar a atenção
porque a competição não é pouca. Desce
sobre mim o vazio do mester.
Não gosto da cor destas ruas, são como
estradas do pecado ou o passeio dourado da Dorothy
que vai dar à minha casa.

São nove da manhã e contemplo a minha mesa nova.

Caminhada

Author: Hugo Torres / Etiquetas:



Nascia o sol
E já estava ele vagueando
Pelas ruas do pensamento,
Pelas ruas do mundo.


Deambulava com um sorriso subtil
Por estreitas e largas ruas
Sobre relva e pedras nuas
Apreciando tudo o que o acaso
Da vida lhe oferecia.


Entardeceu. O sol se pôs dourado
Como belas Musas de um templo achado
Que ele mesmo encontrou.
Pensava ter, por fim, alcançado
A vida com que tanto sonhou.


Anoiteceu. As ruas desertificaram,
Os medos alastraram,
Os becos se multiplicaram,
Por pouco levando á demência o pobre homem.


Mas por outro lado...
A Lua era sua companheira de prata,
Contrastava com seus sonhos de lata
Sem sabor algum.


Achou-se reconfortado
Com o silêncio pela rua mostrado.
Sentimento comum.


Até que ao longe viu algo que o encantou:
Era uma das Musas com que tanto sonhou.
Trajada de escarlate, corria, assustada.
Ou seria só fachada?
Era, no entanto, feliz?


"Diz, diz!" gritou o viajante.
"Sou apenas um espirito errante",
Ripostou a Musa perdida,
Qual alma fugidia.


No horizonte, desapareceu.
A lua prateava o seu caminho
Como se a procurasse.


Ele a perdeu.

Ziguezagueando por grandes desertos,
Com os portões da tristeza abertos,
Reflecte no que não entendeu.


É outro dia.
Porém, ele caiu.
No chão apodrecia
Numa confusa sinestesia.

Raiva? Dor? Conforto?

Qual destes, entre tantos outros
Se adequa a um espirito morto?

Senta-te e Vive

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Sento-me à beira do abismo...
Único local de prazer e dor
Intensos. Paradoxal com certeza, mas,
Cessando toda a beleza do comum mortal,
Indico aos meus relativos que cairei um dia.
Dia esse que será o momento de libertação,
Início...?
Onírica vida seria mais prazerosa!

Liberto-me, caio.
Imagino como seria a vida sem este facto.
Brilhando no nada, dirijo-me à minha morte,
Enquanto os parentes choram, ignorantes das
Razões que me levaram a este FIM.
Deambulando pelas lembranças,
Amor me vem à memória, o que tive e o que não tive.
Despedindo-me desta história,
Entoo um só grito: Vive!

Cai a solidão

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Cai a solidão sobre mim
Como um pano tecido outrora.

Cobre...cobre tudo, é enorme,
Negro, brilhante como a seda,
Desce agonizantemente sobre a vida.

Sob esse pano,
Reencontro todos os meus fantasmas.

One among many makes no difference.

Todos temos várias vidas ao longo da nossa vida. Não sei se é fenómeno que acontece convosco, mas as várias que tive morreram antes de completar a sua edificação. Tudo são mudanças abruptas mas de certa maneira graduais. É um trabalho constante que não deixa respirar fundo e suspirar finalmente 'Acabei'. E logo, vivê-la com um sorriso nos lábios, havendo o tempo e a vontade disponíveis para finalmente apreciar o sol que entra pela janela.

Frívolo

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Estendo a mão para alcançar
O prazer que não encontro
Em andar por estas ruas
A fugir do amedronto
Das tuas realidades nuas.

Há uma vida sem ordem
Que pareço ouvir chamar
Tal qual como uma droga;
Tão prazerosa ao abraçar!
E que por acaso está em voga...

Não há qualquer sentimento,
Na verdade, não vicias...
Qual perda de esperança
Fá-lo só porque querias
Mais uma noite desta dança.

Após o triunfo do momento,
Dormimos, olhamos para trás
Para termos a certeza
Que nos espera alguma paz
Na consciência, uma pureza.


É então já o dia seguinte
Um presente sem evitar.
Tenho a vida já traçada
De modo a nunca te encontrar
Alguma vez mais nesta caçada!

Coloco então a minha capa,
E escureço sob o dia,
Levo comigo teu odor
E imagino a agonia
Da tua falta de amor.

Perecendo na manhã

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Saí, logo nas primeiras horas
E encontrei gaivotas voando.
Graciosas e assustadas me iam rasando
Enquanto caminhava sem demoras.

Por momentos com elas voei.
Observei-as, tão livres que são...
Sentei-me nas asas, fugi da prisão.
Pouco durou, logo assentei.

Acordei, desejei que as gaivotas mais
Não fossem que corvos, repletos de fome,
Pretos, berrando até que a Morte some
Mais uma alma esquecida pelos mortais.

Espinhos

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Ouvi espinhos da tua boca
E meu coração recuou com medo,
Uma tal fobia, paranóia louca
De morrer, sangrar, assim tão cedo!

Mas meu peito estará eternamente
Aberto ao teu julgamento;
Será fiel, eterno crente
Em receber um sentimento...

Uma luz, brilhar constante,
Tal como o brilho do diamante,
Incontaveis Eras esperou

E assim continuará pela eternidade,
Palpitando, bombeando a saudade,
Este coração que nunca amou.

Tu és

Author: Hugo Torres / Etiquetas:



Tu és dor, és prisão,
Uma criação de fria pedra,
Um punhado de cinza negra
Arrancado do meu coração.

Tu és frio, o mar
E toda a sua imensidão...
Um pedaço de luar
Ao qual rezo perdão.

És o mundo no horizonte infinito...
És a distância entre mim e um grito
Dos meus lamentos finais!

Oh, quem me dera tornar meus sonhos reais!
Oh, quem me dera livrar de todos meus ais!
Mas és lágrima no rosto... Meu desejo finito!

Florbela, somos iguais!

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


Oh, Florbela! Florbela! Tu me conheces, desde lá de cima, tu me conheces; lá em cima, no Paraíso, que é onde mereces estar, caso algo semelhante a isso exista. Há um pouco de ti em mim, sem qualquer dúvida. Isso apresenta-se como algo bastante antitético: é doce, reconfortante, simultâneamente sombrio e tenebroso. Tu és eu. Nem todos têm essa honra. Mas nem todos têm o teu fado, o nosso fado. Ja sabemos onde vamos parar, não já? Provavelmente ao Paraíso, onde merecemos estar. Nós que construimos castelos de quimeras; nós que construimos impérios psicológicos; nós, cujos corações batem às portas e ninguém abre... Um dia não haverá nada mais para contar, mais nenhum gesto para fazer quando confrontados com um destino solitário. Só o nosso diamante em bruto, as nossas perolas teatrais, os nossos versos não menos teatrais e, claro, quimeras.

Xadrez

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


A última mão que agarrei
Foi também a última que larguei
E, viajando de mão em mão,
É uma incógnita o que serei.

Quem me dera esquecer,
Quem me dera nunca mais ver
Esses tantos olhos que me outrora prenderam,
Que agora só fazem sofrer.

Ilusões que perduram pelo pensamento
De quem não tem olhos para o real momento,
De quem acredita sem fronteiras
Que será feliz, leve como o vento.

E vento que é vento não teme
Porque este vento não é perene,
Porque perene e só sou já eu,
Sem ter ideia para onde virar leme.

Sem paciência, conto o tempo ao mês
Enquanto a Vida e a Morte jogam xadrez:
Jogo viciado - A Vida começa primeiro
Mas as trevas da Morte ganham outra vez.

Citação I - Florbela Espanca

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"Onde páras tu, ó Imprevisto, que vestes de cor-de-rosa tantas vidas?"

Florbela Espanca

As Fadas

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As fadas...
São criaturas encantadas;
Nem todos as podem ver.
Voando em movimento,
Como quem voa com o vento,
Como quem feliz vai viver.


Pequenas de estatura,
Mas nem tanto em ternura,
As fadas brincam na floresta
Poisando em rosas, violetas,
Perseguindo as borboletas,
Ignorando o que lhes resta.


Logo despertam para os afazeres,
Após brincarem, estes seres
Em misticismo mergulhados.
Pois em todo o lado fazem falta,
Riem, cantam e tocam flauta...

Mas nunca são encontrados.

Desalento

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Rodopios no estômago
E o abraço da tristeza;
A Morte espreita-me
E o que vê? Beleza.

Arrepios de dor,
Gritos pela cidade;
A Morte escuta-me
E o que ouve?
"Piedade".

Calor sobrehumano,
Coração mais que negro;
A Morte toca-me
E o que se sente? Medo.

São milhas e milhas do sopé ao topo
E eu corro, corro como um louco;
Qual teu sonho, é corrida sem movimento,
É queda perpétua, o meu desalento.

O Livro da Minha Vida II

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Lembras-te do Livro? Acabou.
Não há mais páginas a relembrar
Ao meu ser que nunca amou,
Que mais lágrimas há para chorar.

Oh, que fim trágico este!
Um tal livro de sonhar
Onde tentava contemplar
UM amor que nunca me deste!

Quantas vezes te prometi
A água, o Sol e a Lua
E tantas terras de Marfim?

Em quantas noites eu vi
Em tua alma nua
A suavidade do cetim?

Uma! Duas! Três!
Três facadas nomeu peito!
Agora, tu o que vês?
Orgulho e alegria em teu jeito...

Quatro! Cinco! Seis!
Seis facadas de traição!
Fazes as tuas leis
Sem pena de prisão!

Queima as páginas uma a uma
Pois o livro escrito a pluma
Acabou, já não mais serve,
Tal como o meu amor
Que, de tanto fulgor,
Para sempre se perde.

Peço-te, sai da memória,
(Quero ter Glória!)
Assim, rápido como o espanto!

Sai, não quero mais ler
De novo o livro do meu ser
E repetir todo um pranto...

O Livro da Minha Vida

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Tenho no regaço um livro meu
E dele farei a minha sina;
Um Livro que te darei, serei eu
Ao longo de cada folha, cada rima.

O Livro será o limite, a mudança;
Ou bem que perco o Norte,
Ou bem que perco a esperança
Numa eterna dança com a Morte.

Ao bater da flecha de dor
Saboreio mais um fado triste
Tal como Espanca e seu amor,
Amor que não existe!

Rezo, quero ver a tua luz
Antes de este Livro acabar...
Ou morrer, morrer de vergonha,
Em direcção aos céus, voar...

Vem a derradeira folha
E não há luz! Não há luar!
Somente esta lágrima que molha
Um tal Livro de Sonhar.

Oh, é o fim! Que será do meu viver?
Livro á chuva, as cores a desbotar...!
E pingos e lágrimas e a tinta a escorrer;
Olha, amor, são rimas a chorar!

Sem Título

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Era uma vez um poema
Que, na verdade, não existiu...
Recitado numa tal cena
De um teatro que já faliu:

Um dia mais perto da Morte

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Respiraste o ar que sentiste,
Vieste ao mundo por sorte,
Chegaste como todos chegam; triste.
E o que com isso conseguiste?
Um dia mais perto da Morte.

Porém, sempre sorriste,
Mesmo carregando todo esse peso,
Nunca pensaste nela, não a viste...
E o que com isso conseguiste?
Um dia mais perto da Morte.

Estás farto, cansado...
Percorreste, durante muitos anos,
O caminho da Vida, preparado
Para te fazer cair neste Fado.
E agora, por onde tens andado?
Aí pelos cantos, chorando,
Pois estás um dia mais perto da Morte.