Xadrez

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


A última mão que agarrei
Foi também a última que larguei
E, viajando de mão em mão,
É uma incógnita o que serei.

Quem me dera esquecer,
Quem me dera nunca mais ver
Esses tantos olhos que me outrora prenderam,
Que agora só fazem sofrer.

Ilusões que perduram pelo pensamento
De quem não tem olhos para o real momento,
De quem acredita sem fronteiras
Que será feliz, leve como o vento.

E vento que é vento não teme
Porque este vento não é perene,
Porque perene e só sou já eu,
Sem ter ideia para onde virar leme.

Sem paciência, conto o tempo ao mês
Enquanto a Vida e a Morte jogam xadrez:
Jogo viciado - A Vida começa primeiro
Mas as trevas da Morte ganham outra vez.

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