A empregada / Puta de coração de ouro

Author: Hugo Torres / Etiquetas:


São nove da manhã, o ofício espera-me,
rever as minhas colegas e lavar as mesas
como de costume.
Ando de cabeça baixa, servil, sorriso constante
mas subtil, como se pensasse nas vitórias
do passado, a saudade.
Gosto da cor destas mesas, são como
as férias que tiro da minha mesa de vidro lá de casa
que até está um pouco rachada.

São nove da noite, os filhos na cama
e a mesa no pensamento. A rua espera-me,
rever as minhas colegas e os meus clientes
do costume.
Ando de cabeça erguida, chamar a atenção
porque a competição não é pouca. Desce
sobre mim o vazio do mester.
Não gosto da cor destas ruas, são como
estradas do pecado ou o passeio dourado da Dorothy
que vai dar à minha casa.

São nove da manhã e contemplo a minha mesa nova.

4 comentários:

Blaze disse...

wow.
Dude, awesome. Onde arranjas as pics btw?

Hugo Torres disse...

I just google them :P lol the internet xD

Myann disse...

Um génio é um génio. Nuf said ^^

Diógenes disse...

Um retrato perfeito dessa dualidade de mesteres que é a lida de tantas mulheres. Muito bom.