Uma vez, um homem estava entre quatro paredes brancas. Uma sala vazia. Por alguma razão, talvez destino, talvez uma vontade voluntária, essas paredes começaram a fechar-se sobre si progressivamente, colocando o homem numa situação complexa; pânico, falta de ar, falta de vida, falta de magia, enrolado no seu próprio ser como uma massa amorfa mas autónoma. Ficou louco, demente, correndo contra as paredes em busca de uma solução, como se buscasse no próprio problema a sua resolução. As amarras que se avizinhavam ditavam um destino fatalista ao homem. Este acabou por não se cumprir. O homem é dotado de força, de dedicação e de confiança, por alguma razão. O homem soube sempre suplantar-se sobre tudo o que o rodeava, era grande. Nos últimos minutos da existência de tal peculiar quarto, o homem quebra as correntes como um génio louco, era a única solução, necessitava de vida e ar e cor e magia, sol e música. Assim o homem fez a sua vida.

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